Lucas Peralles, nutricionista esportivo em São Paulo e fundador do Método LP, aponta que, para quem passa boa parte do mês em aeroportos, hotéis e reuniões fora de casa, manter uma alimentação consistente parece, na prática, incompatível com a realidade. Tendo em vista que o plano funciona bem em casa, na semana normal, com a geladeira abastecida e a rotina sob controle. Mas, na primeira viagem de três dias, o protocolo vai por água abaixo, e a sensação que fica é a de que cuidar da alimentação exige condições que a vida profissional simplesmente não oferece.
Para o nutricionista esportivo de São Paulo, quando um protocolo desmorona na primeira alteração de rotina, o problema não é a viagem. É o protocolo. Uma estratégia alimentar que só existe enquanto as circunstâncias colaboram não é uma mudança real. É uma simulação de mudança, e ela vai falhar toda vez que a vida aparecer do jeito que realmente é.
O erro do plano que só funciona em condições perfeitas
Um protocolo alimentar que depende de cozinha própria, horários fixos e ambiente controlado é, por definição, frágil. De tal maneira que qualquer variação na rotina o compromete. E, para quem viaja com frequência, a variação não é exceção, mas o estado normal das coisas.
O nutricionista esportivo, criador do Método LP, Lucas Peralles, parte de um pressuposto diferente ao construir estratégias para esse perfil de paciente: o plano precisa ser desenhado para a vida real, não para a vida ideal. Dessa forma, isso muda completamente o que vai no protocolo.
O que realmente importa quando tudo muda?
Quando a rotina sai do controle, a tentação é tentar controlar tudo com mais rigidez: pesquisar o cardápio do restaurante antes de chegar, carregar marmita para o avião, recusar o jantar de negócios. Além de inviável, essa abordagem cria uma relação de tensão com a alimentação que prejudica tanto a adesão quanto o prazer de comer.

Lucas Peralles, devido à sua longa experiência, trabalha com uma lógica diferente: definir os mínimos não negociáveis que se mantêm independentemente do contexto e dar liberdade total para o restante. Isso porque esses mínimos são simples e altamente portáteis: priorizar proteína em toda refeição, não ficar mais de cinco horas sem comer, evitar ultraprocessados como refeição principal. Três comportamentos que funcionam em qualquer aeroporto, hotel ou restaurante do mundo.
A habilidade de navegação: o que diferencia quem mantém o resultado viajando?
Lucas Peralles, referência em nutrição esportiva na Zona Leste de São Paulo, chama de habilidade de navegação a capacidade de fazer escolhas adequadas dentro de qualquer ambiente alimentar sem entrar em pânico, sem compensação exagerada e sem a sensação de que tudo se perdeu. Essa habilidade não é inata. É desenvolvida ao longo do processo de acompanhamento.
Na prática, significa saber montar um prato equilibrado num buffet de hotel, escolher bem num restaurante executivo, comer no aeroporto sem precisar de uma marmita. São decisões pequenas que, tomadas com consistência ao longo de uma viagem de três dias, fazem toda a diferença no resultado final.
Consistência não é perfeição portátil
O objetivo para quem viaja não é reproduzir em qualquer lugar o protocolo que funciona em casa. É manter o suficiente para que o processo não regrida e que a retomada da rotina aconteça naturalmente ao voltar. Uma semana de viagem bem navegada, sem excessos e sem rigidez paralisante, é exatamente o que o Método LP busca construir: autonomia alimentar que funciona no mundo real, não apenas no ambiente controlado de quem nunca sai de casa.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez