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Embalagens de delivery e consumo por aplicativo: quando a conveniência gera resíduos em escala

Giulio Valdelli
Giulio Valdelli
30 de junho de 2026
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5 Min de leitura
Marcello José Abbud
Marcello José Abbud
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O diretor da Ecodust Ambiental, Marcello José Abbud, destaca que o crescimento exponencial do consumo via aplicativos de delivery transformou os hábitos alimentares de milhões de brasileiros e, simultaneamente, criou uma nova e volumosa fonte de resíduos de embalagens nos centros urbanos. Caixas de papelão, sacolas plásticas, embalagens de isopor, potes descartáveis, talheres plásticos individuais e lacres de segurança compõem um conjunto de materiais que chega diariamente às residências e se acumula nos sistemas de coleta sem que a maior parte dos consumidores reflita sobre seu impacto ambiental acumulado. Vamos explorar ao longo deste texto a dimensão desse problema e o que pode ser feito para reduzir seu impacto sobre a gestão de resíduos urbanos.

Contents
  • O volume gerado e o perfil das embalagens de delivery
  • A responsabilidade dos restaurantes, aplicativos e fabricantes
  • Alternativas disponíveis e experiências em curso

O volume gerado e o perfil das embalagens de delivery

O mercado de delivery de alimentos no Brasil cresceu de forma acelerada na última década, com expansão ainda mais intensa durante o período da pandemia. Estima-se que dezenas de milhões de pedidos sejam realizados mensalmente no país, cada um gerando um conjunto de embalagens primárias e secundárias que raramente são recicláveis pelos sistemas convencionais. Embalagens de isopor, amplamente utilizadas para manter a temperatura dos alimentos, são compostas por poliestireno expandido, material com baixíssima taxa de reciclagem no Brasil pela ausência de mercado e de infraestrutura de processamento adequada.

Conforme analisa Marcello José Abbud, o problema das embalagens de delivery é agravado pela contaminação orgânica inevitável que os resíduos de alimentos causam nas embalagens usadas. Na prática, potes plásticos, caixas de papelão e sacolas com restos de comida chegam às usinas de triagem em condições que inviabilizam sua reciclagem, mesmo quando compostas por materiais tecnicamente recicláveis em outras circunstâncias. A contaminação cruzada reduz a qualidade do material separado e eleva os custos operacionais das plantas de beneficiamento.

A responsabilidade dos restaurantes, aplicativos e fabricantes

A cadeia de responsabilidade pela geração de resíduos no delivery é distribuída entre restaurantes, plataformas de aplicativos e fabricantes de embalagens, sem que nenhum desses agentes arque de forma proporcional com os custos ambientais do sistema. 

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

Os restaurantes escolhem as embalagens com base em custo e praticidade, sem critérios de reciclabilidade. As plataformas de aplicativos, por sua vez, estabelecem os termos de operação dos restaurantes cadastrados, mas raramente incluem requisitos ambientais para as embalagens utilizadas. Já os fabricantes de embalagens respondem à demanda existente sem internalizar os custos da destinação final dos materiais que produzem.

Marcello José Abbud pondera que a responsabilidade estendida do produtor é o instrumento regulatório mais adequado para corrigir essa distorção. Ao tornar os fabricantes de embalagens co-responsáveis pelo custo da destinação final dos materiais que colocam no mercado, esse mecanismo cria incentivos econômicos diretos para o desenvolvimento de embalagens mais recicláveis e para o financiamento de sistemas de coleta diferenciada adequados ao perfil dos resíduos gerados pelo setor de delivery.

Alternativas disponíveis e experiências em curso

Algumas iniciativas já demonstram que é possível reduzir o impacto ambiental das embalagens de delivery sem comprometer a experiência do consumidor. Sistemas de embalagens retornáveis para delivery, nos quais o cliente devolve os potes na próxima entrega ou em pontos de coleta parceiros, já estão em operação em algumas cidades brasileiras e em mercados mais maduros, como Alemanha e Coreia do Sul. A substituição de isopor por embalagens de papel-cartão com isolamento térmico adequado e a eliminação de talheres descartáveis por padrão são medidas de implementação imediata com impacto relevante sobre o volume de resíduos gerados.

Na perspectiva de Marcello José Abbud, a combinação entre regulação que estabeleça padrões mínimos de reciclabilidade para embalagens de delivery, incentivos para a adoção de sistemas retornáveis e comunicação que torne o consumidor consciente do impacto de suas escolhas é o caminho mais eficaz para transformar um setor que hoje representa uma das fontes de crescimento mais rápido de resíduos de embalagens nas cidades brasileiras.

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