Prefeitura reforma prédios antigos no Ponto de Cem Réis e constrói residencial no Varadouro para atrair moradores de volta à região central da capital.
A revitalização do Centro Histórico de João Pessoa avança com três projetos habitacionais em execução simultânea, somando investimentos de R$ 65 milhões em parceria com o Governo Federal. Dois deles ficam no Ponto de Cem Réis, com a reforma e modernização de dois prédios antigos, e o terceiro é a construção do Residencial Rio Sanhauá, na Praça da Socic, no bairro do Varadouro, que vai receber 108 unidades habitacionais. A iniciativa integra o programa Habitacional da gestão municipal e busca resolver um problema antigo da capital paraibana: o esvaziamento populacional de uma área repleta de infraestrutura, comércio e patrimônio histórico, mas que há décadas perde moradores para outras regiões da cidade. Para quem acompanha o cotidiano de João Pessoa, a pergunta que fica é simples. O que muda, na prática, para quem vive ou passa pelo Centro todos os dias? Prefeitosegovernantes
Prédios centenários viram apartamentos modernos
O primeiro dos projetos no Ponto de Cem Réis é a requalificação do antigo prédio do Ipase, inaugurado em 1951 e considerado, à época, um marco do modernismo na capital. O engenheiro responsável pela obra, da Construtora JPC, afirmou que o trabalho é delicado por se tratar de uma edificação antiga que está sendo transformada em 50 apartamentos de dois quartos. A escolha de reformar em vez de demolir tem um propósito além do econômico: preservar a identidade arquitetônica de uma das áreas mais antigas da cidade, ao mesmo tempo em que se resolve a carência de moradia digna na região. Prefeitosegovernantes
O segundo canteiro de obras do Ponto de Cem Réis é a restauração do Edifício das Nações Unidas, que recebe R$ 15 milhões em investimentos. A obra vai resultar em 39 apartamentos, além de área de convivência e salas comerciais no térreo do prédio. Já o terceiro projeto, o Residencial Rio Sanhauá, é o de maior porte entre os três e recebe R$ 29 milhões, destinados especificamente a abrigar famílias que hoje moram na região do Porto do Capim, uma comunidade histórica que enfrenta condições precárias de habitação há anos. A combinação de reforma de patrimônio e construção nova mostra uma estratégia dupla da Prefeitura: recuperar prédios tombados e, ao mesmo tempo, ampliar o número de unidades disponíveis para famílias de baixa renda. Prefeitosegovernantes
Moradia como resposta ao esvaziamento do Centro
Segundo a secretária de Habitação Social de João Pessoa, os três projetos têm prioridade dentro do programa habitacional municipal justamente porque endereçam um problema estrutural do Centro Histórico. A região concentra comércio, órgãos públicos e patrimônio cultural, mas boa parte dos prédios ficou vazia ao longo dos anos, à medida que moradores migraram para bairros mais novos da capital. Trazer gente de volta para morar ali não é apenas uma questão habitacional, é também uma forma de reativar a vida comercial e cultural de uma área que só funciona plenamente durante o expediente comercial.
O arquiteto responsável pelo projeto de reforma do Ipase destacou que a viabilidade da revitalização depende diretamente da transformação de prédios antigos em moradia e espaços comerciais, e não apenas de obras isoladas de restauro estético. Essa lógica também aparece nos discursos oficiais da gestão municipal, que associam a reforma dos edifícios à ideia de devolver movimento ao Centro nos períodos noturnos e nos fins de semana, quando a região costuma ficar praticamente deserta hoje em dia.
Parte de um pacote maior de revitalização
Os três projetos habitacionais não são ações isoladas. Eles fazem parte do programa Viva o Centro, uma parceria entre Governo do Estado e Prefeitura de João Pessoa lançada com o objetivo de impactar a região central da capital nas áreas de economia, segurança, infraestrutura, cultura, turismo e mobilidade. O pacote de medidas soma investimentos de R$ 400 milhões, o maior já destinado ao Centro Histórico da cidade. Entre as ações complementares estão isenções de IPTU e ITBI para quem mora ou empreende na região, além da redução do ISS para empresas instaladas no perímetro. Pb
Do lado estadual, o programa também prevê incentivos fiscais específicos para restauração de imóveis históricos, com recursos anuais destinados a projetos de recuperação patrimonial. A soma de esforços entre os dois níveis de governo é o que sustenta o cronograma dos três empreendimentos habitacionais atualmente em obras, com previsão de que as primeiras entregas ocorram nos próximos meses, conforme o avanço de cada canteiro.
Para quem acompanha o dia a dia da capital paraibana, o retorno de moradores ao Centro Histórico tende a significar mais movimento nas ruas, mais segurança percebida durante a noite e maior demanda por comércio local. A revitalização de prédios como o antigo Ipase e o Edifício das Nações Unidas também resgata parte da memória arquitetônica de João Pessoa, unindo patrimônio e moradia popular em um mesmo projeto. Nos próximos meses, a expectativa da Prefeitura é acompanhar de perto a entrega das primeiras unidades e avaliar o impacto direto na ocupação da região.
Fontes consultadas: prefeitosegovernantes.com.br, joaopessoa.pb.leg.br