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Paraíba aumenta exportações para os EUA mesmo com tarifaço de Trump

Giulio Valdelli
Giulio Valdelli
23 de julho de 2026
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6 Min de leitura
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CNI aponta crescimento de 5,9% nas vendas paraibanas ao mercado americano, mesmo com a tarifa adicional de 25% em vigor desde 22 de julho.

Contents
  • Por que a tarifa afeta diretamente a economia paraibana
  • O que a tarifa de 25% muda na prática
  • Os próximos passos para exportadores e para o governo do estado

Como um estado consegue vender mais para os Estados Unidos justamente no momento em que o governo americano impõe uma nova tarifa sobre produtos brasileiros? Esse é o contraste que chama atenção nos dados mais recentes da Confederação Nacional da Indústria: a Paraíba registrou aumento de 5,9% nas exportações destinadas aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, mesmo diante da retração enfrentada pela maior parte dos estados brasileiros após a tarifa adicional de 25% anunciada por Washington. A medida entrou em vigor nesta quarta-feira (22) e already reconfigura o cenário comercial de estados exportadores como a Paraíba, que tem os Estados Unidos como um dos principais destinos de sua produção.

Por que a tarifa afeta diretamente a economia paraibana

Os Estados Unidos foram o segundo principal destino das exportações da Paraíba em 2024, respondendo por US$ 35,6 milhões em vendas, o equivalente a 21,6% de tudo o que o estado exportou naquele ano. Esse percentual coloca a Paraíba atrás apenas de Ceará e Espírito Santo entre os estados brasileiros com maior concentração de exportações voltadas a um único país, o que explica por que qualquer mudança na política comercial americana repercute com força direta na economia paraibana. Entre janeiro e junho de 2025, o estado já havia exportado cerca de US$ 9,8 milhões para o mercado americano, segundo dados do sistema Comex Stat, do governo federal.

Os produtos mais expostos à nova tarifa são justamente os que mais pesam na pauta exportadora paraibana para os Estados Unidos: suco de frutas, açúcar e calçados. O suco de frutas concentra a maior fatia dessas vendas, chegando a representar cerca de 60% de tudo o que a Paraíba vende aos americanos, impulsionado principalmente pelo abacaxi cultivado em municípios paraibanos e transformado em concentrado para exportação. O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, Cassiano Pereira, afirmou que ainda é cedo para dimensionar com precisão os efeitos da tarifa sobre a indústria local, mas reconheceu que o tema é acompanhado de perto pelo setor produtivo.

O que a tarifa de 25% muda na prática

A tarifa adicional de 25% foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos após uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial americana, iniciada em 2025, e passou a valer nesta quarta-feira (22) sobre cerca de três mil produtos brasileiros. O governo brasileiro repudiou publicamente a medida, afirmando que a investigação conduzida pelos Estados Unidos não possui respaldo nas regras do sistema multilateral de comércio, e informou que pretende utilizar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, além de recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.

Apesar da tensão diplomática, parte considerável da queda nas exportações brasileiras para os Estados Unidos tem sido puxada por outros setores industriais, como semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto e óleos de petróleo, que registraram retração de 8,7% no período. Esse recorte ajuda a explicar por que o desempenho paraibano surpreende: enquanto o país como um todo sente o peso da tarifa em segmentos siderúrgicos e industriais mais pesados, a pauta exportadora da Paraíba, concentrada em produtos agrícolas processados, conseguiu, até aqui, sustentar e até ampliar as vendas ao mercado americano.

Os próximos passos para exportadores e para o governo do estado

A CNI defende a intensificação das negociações entre Brasil e Estados Unidos como caminho mais eficaz para reduzir os impactos das medidas comerciais sobre os estados exportadores, incluindo a Paraíba. Enquanto essa negociação avança em nível federal, o setor produtivo paraibano segue monitorando de perto quais produtos podem, eventualmente, ser incluídos em futuras listas de exceção à tarifa, algo que já ocorreu com itens considerados estratégicos para a economia americana em outros estados nordestinos.

Para exportadores locais, o desafio nos próximos meses será equilibrar a manutenção das vendas ao mercado americano com a busca por diversificação de destinos, reduzindo a dependência de um único parceiro comercial diante de um cenário de instabilidade tarifária que já dura meses. A expectativa é que o desempenho do segundo semestre de 2026 mostre se o crescimento registrado até aqui se sustenta ou se os efeitos da tarifa, que entrou em vigor apenas nesta semana, começam a aparecer com mais força nos próximos boletins da CNI e do Comex Stat.

O caso paraibano mostra como uma mesma medida comercial pode gerar efeitos bem diferentes entre os estados brasileiros, a depender da composição de sua pauta exportadora. Enquanto isso, o acompanhamento dos dados oficiais seguirá sendo a principal ferramenta para medir, com precisão, o real impacto do tarifaço sobre a economia do estado nos próximos meses.

Fontes:
PB Agora | O Poder | A União

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