Sair do quarto de casa para uma equipe de mais de 40 pessoas, como fez o empresário Fredy da Silva Gonçalves Bento, conhecido como Fredy Restrito, começa com uma decisão que assusta quase todo pequeno empreendedor: contratar o primeiro funcionário. O medo tem fundamento. A conta costuma ser feita só com o salário, e é aí que muitos negócios se complicam.
Para entender o que realmente entra nessa decisão, vale acompanhar um caso hipotético, construído a partir de situações comuns no varejo de bairro. Confira!
O caso: uma loja que cresceu além da dona
Marta, personagem fictícia, abriu uma loja de acessórios para celular num bairro de São Vicente. Durante dois anos, atendeu sozinha, das nove às sete. As vendas cresceram, mas ela começou a perder clientes no horário de almoço e a recusar encomendas porque não conseguia ir aos fornecedores.
A solução parecia óbvia: contratar uma vendedora. Marta fez a conta com base no salário anunciado e concluiu que as vendas extras pagariam a despesa com folga. Três meses depois, o caixa estava mais apertado do que antes da contratação.
A conta que vai além do salário
O erro de Marta é frequente. Um empregado com carteira assinada custa o salário e mais uma série de obrigações: 13º salário, férias acrescidas de um terço, depósito mensal de 8% no FGTS e vale-transporte, além dos encargos previdenciários, que variam conforme o regime tributário da empresa.
Fredy Restrito explica que somados, esses itens elevam o custo mensal bem acima do valor registrado na carteira. Antes de contratar, a conta precisa considerar o custo total ao longo de um ano, dividido por doze, e não apenas o salário do mês.
O tempo que a dona deixa de vender
Há também um custo que não aparece em nenhuma planilha. Nas primeiras semanas, Marta passou boa parte do dia ensinando preços, mostrando onde ficava cada produto e corrigindo erros no caixa. Vendeu menos justamente quando esperava vender mais.
O treinamento é inevitável, mas pode ser encurtado quando o dono escreve o que antes estava só na cabeça: tabela de preços, regras de troca, rotina de abertura e fechamento. A passagem do negócio feito sozinho para o negócio feito em equipe, que marca a trajetória de Fredy Restrito desde o comércio de roupas, depende desse esforço de transformar hábito em procedimento.
Quando a contratação começa a se pagar
No quinto mês, a situação de Marta mudou. Com a vendedora segura no balcão, ela voltou a visitar fornecedores, negociou preços melhores e abriu um canal de vendas pelo celular. O ganho não veio das vendas da funcionária, e sim do tempo que a dona recuperou para cuidar do que só ela sabia fazer.
Esse é o ponto que muitos empreendedores demoram a perceber. O primeiro funcionário não serve apenas para dividir o trabalho, mas para liberar o dono para fazer a empresa crescer. Na Litoral Mobilidade, rede de lojas de mobilidade elétrica comandada por Fredy da Silva Gonçalves Bento, essa lógica ajuda a explicar como uma trajetória iniciada por uma única pessoa chegou a uma operação com mais de 40 colaboradores.
Emprego como medida de crescimento
Faturamento pode subir por um bom mês, e o lucro pode oscilar com uma promoção. Já a decisão de contratar mostra que o empreendedor confia na continuidade do próprio negócio, a ponto de assumir um compromisso mensal com outra pessoa.
Por isso, a primeira carteira assinada costuma ser um marco maior do que parece. como frisa Fredy Restrito, ela tira o negócio da dependência de uma única pessoa e, quando bem planejada, abre espaço para a segunda, a terceira e as seguintes. É assim que pequenas empresas de bairro passam a gerar renda para além da família de quem as fundou.