Parceria com a China resulta em investimento de R$ 200 milhões e instala em João Pessoa os primeiros computadores quânticos operacionais da região.
A Paraíba está prestes a sediar um marco na história tecnológica do Brasil. O país vai receber, em agosto deste ano, seus dois primeiros computadores quânticos operacionais, com capacidades de 20 e 100 qubits, equipamentos que processam informações em múltiplos estados simultâneos e cuja tecnologia poucos países no mundo dominam. As máquinas serão instaladas em um centro de pesquisa em João Pessoa, fruto de uma parceria internacional que também prevê, no médio prazo, a fabricação própria de chips quânticos em solo brasileiro. Para quem nunca ouviu falar do assunto, a dúvida mais natural é entender o que muda, na prática, quando um estado do Nordeste passa a sediar uma tecnologia que hoje só um punhado de países consegue operar. movimentoeconomico
O que é o CIQUANTA-PB e como ele vai funcionar
O Centro Internacional de Computação Quântica da Paraíba, batizado de CIQUANTA-PB, foi oficializado em 19 de junho pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em cerimônia realizada em João Pessoa com a presença da ministra Luciana Santos e do governador Lucas Ribeiro. O espaço vai concentrar pesquisas em inteligência artificial, saúde, segurança digital e novos materiais, funcionando em regime ininterrupto, com administração compartilhada entre os governos estadual e federal. Pesquisadores de todo o país poderão acessar as máquinas remotamente, por meio de uma plataforma em nuvem, sem precisar estar fisicamente na capital paraibana. movimentoeconomico
A estrutura física também chama atenção pela escala. O centro será instalado na Estação Ciência Cabo Branco, em João Pessoa, em um espaço com mais de 5,1 mil metros quadrados, equipado com sistemas criogênicos, salas blindadas e estruturas de estabilização ambiental. Isso porque os chips quânticos exigem condições extremas de temperatura para manter suas propriedades físicas, funcionando em níveis próximos do zero absoluto. Diferente de um computador comum, que processa informações em sequências de zero ou um, o chip quântico usa qubits capazes de representar os dois estados ao mesmo tempo, o que permite realizar cálculos complexos em velocidade muito superior à da computação tradicional. movimentoeconomico
Investimento bilionário e formação de mão de obra
O projeto tem um custo total de R$ 200 milhões, divididos entre governo estadual e governo federal, resultado de um acordo de cooperação assinado em novembro de 2025. Além da instalação dos equipamentos, a iniciativa vem acompanhada de um programa voltado à formação de pesquisadores brasileiros na área. O Projeto Residência em Tecnologias Quânticas prevê investimento de R$ 20 milhões ao longo de 36 meses, com 156 bolsas distribuídas para capacitar cerca de 500 estudantes, pesquisadores e profissionais em computação quântica, microeletrônica e semicondutores. movimentoeconomico
As atividades de formação não ficam restritas à Paraíba. Elas serão distribuídas em seis cidades brasileiras: João Pessoa e Campina Grande, na Paraíba, além de Fortaleza, Salvador, Goiânia e Campinas. A escolha por espalhar o programa por diferentes regiões do país mostra a intenção do governo federal de não concentrar o conhecimento apenas em um polo, ampliando o alcance da capacitação em uma área ainda pouco explorada no Brasil. Segundo dados do próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o volume de recursos federais destinados à Paraíba para projetos de pesquisa quase triplicou nos últimos anos, o que ajuda a explicar por que o estado foi escolhido para abrigar um projeto dessa magnitude. movimentoeconomico
Aplicações práticas e próximos passos
Ainda que o tema soe distante do cotidiano, as aplicações da computação quântica prometem impactar setores bem concretos. Pesquisadores da Universidade Federal de Campina Grande, parceira do projeto, apontam expectativas de uso em áreas como desenvolvimento de fármacos, agricultura de precisão, otimização financeira e criação de novos materiais. A capacidade de processar cálculos complexos em velocidade muito maior do que a computação tradicional é o que abre espaço para esse tipo de aplicação prática em diferentes indústrias.
O cronograma do projeto já está em andamento. Pesquisadores brasileiros passam por treinamento com os parceiros internacionais entre junho e julho, os equipamentos chegam ao Brasil em agosto e a montagem final pela equipe nacional deve ser concluída até outubro. O centro também vai dar origem a um hub nacional de experimentação quântica, pensado para compartilhar laboratórios, equipamentos e conhecimento entre universidades, pesquisadores e empresas de diferentes regiões do país. movimentoeconomico
A instalação do CIQUANTA-PB representa um salto importante para a posição do Brasil no mapa da tecnologia quântica mundial, um campo dominado hoje por poucas potências. Para a Paraíba, o projeto reforça um movimento que já vinha sendo construído nos últimos anos, com o crescimento de startups locais e o fortalecimento de parques tecnológicos no estado. Nos próximos meses, a chegada física dos equipamentos e o início da operação em João Pessoa vão marcar o teste real dessa aposta.
Fontes consultadas: movimentoeconomico.com.br