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O caminho tortuoso para reconquistar a autoestima após términos traumáticos, com a psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio

Giulio Valdelli
Giulio Valdelli
19 de fevereiro de 2024
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5 Min de leitura
Taiza Tosatt Eleoterio
Taiza Tosatt Eleoterio
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Depois de sair de um relacionamento abusivo, é comum que a autoestima pareça ter desaparecido junto com a relação. Perguntas que antes pareciam simples, como o que vestir ou o que responder a um comentário, passam a exigir um esforço desproporcional.

Contents
  • Por que a autoestima fica tão abalada depois de um relacionamento abusivo?
  • É normal ainda sentir falta do parceiro que causou tanto sofrimento?
  • Quanto tempo leva para a autoestima se recuperar?
  • O que realmente ajuda nesse processo?
  • É preciso terapia, ou dá para reconstruir sozinha?

A psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio, especialista em saúde mental e relações familiares, observa que esse processo de reconstrução costuma levantar as mesmas dúvidas, independentemente da história de cada mulher, e reunir essas respostas ajuda a normalizar um caminho que muitas vezes parece solitário demais.

Por que a autoestima fica tão abalada depois de um relacionamento abusivo?

Críticas constantes, comparações, humilhações disfarçadas de brincadeira: tudo isso se acumula ao longo do tempo e vai corroendo a forma como a pessoa enxerga o próprio valor. Não é um evento único que causa esse efeito, é a repetição.

Com o tempo, muitas mulheres passam a acreditar, ao menos em parte, nas coisas negativas que ouviram sobre si mesmas dentro da relação, mesmo sabendo racionalmente que não eram verdade. Essa é uma das razões pelas quais a recuperação exige mais do que apenas se afastar fisicamente de quem causou o dano.

É normal ainda sentir falta do parceiro que causou tanto sofrimento?

Sim, e isso não significa que a decisão de sair estava errada de forma alguma. Taiza Tosatt Eleoterio destaca que é possível sentir falta de momentos bons vividos na relação, do hábito de conviver com alguém, ou até da própria identidade construída ao lado dessa pessoa, mesmo reconhecendo o quanto o vínculo era prejudicial.

Esse tipo de sentimento contraditório costuma gerar culpa, como se sentir falta fosse prova de fraqueza. Na prática, é apenas parte esperada do processo de desapego, que raramente acontece de forma limpa e imediata, ainda mais quando a relação durou anos e envolveu momentos genuinamente bons intercalados com o sofrimento.

Quanto tempo leva para a autoestima se recuperar?

Não existe um prazo fixo, e desconfiar de qualquer promessa de recuperação rápida costuma ser sensato. O processo tende a ser gradual, com dias de mais confiança e outros de mais insegurança, sem que isso represente um retrocesso real.

Comparar a própria recuperação com a de outras pessoas tende a atrapalhar mais do que ajudar, porque cada história carrega tempo de exposição ao abuso, rede de apoio disponível e circunstâncias de vida diferentes. Uma recuperação mais lenta não é sinal de fraqueza, apenas reflete uma combinação de fatores que não depende só de esforço individual.

O que realmente ajuda nesse processo?

Pequenas decisões cotidianas, tomadas sem consultar mais ninguém, costumam ter um efeito cumulativo importante: escolher o que vestir, decidir sozinha algo simples, expressar uma opinião sem medo de represália ou crítica. Cada uma delas reconstrói, aos poucos, a confiança na própria capacidade de decidir.

Taiza Tosatt Eleoterio pondera que reconectar-se com atividades e pessoas que existiam antes do relacionamento, e que muitas vezes foram deixadas de lado por causa dele, também costuma ajudar a restaurar partes da identidade que ficaram em segundo plano durante esse tempo.

É preciso terapia, ou dá para reconstruir sozinha?

Rede de apoio, tempo e autoconhecimento ajudam bastante, mas o acompanhamento profissional costuma acelerar e aprofundar esse processo, especialmente quando existem crenças negativas muito enraizadas sobre o próprio valor e a própria capacidade de confiar em alguém novamente.

Para a psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio, buscar terapia não é admitir fracasso em lidar sozinha com a situação, é reconhecer que existem ferramentas específicas para desfazer o que foi construído ao longo de um tempo prolongado de convivência abusiva, e que usar essas ferramentas costuma tornar o caminho mais curto, mais claro e menos solitário.

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